jogo do deserto utópico
trópico dos ossos
das línguas imorais
senha dos delírios óbvios
transmutados sórdidos
tons tão sobrenaturais

 

 

 

 

eu quero o teu sexo
o ossoconexo
a morte afogada na
cara sem face da alma

 

 

 

há muito tempo que me interesso pela espiritualidade.
li kardec pela primeira vez aos 13 anos e me identifiquei profundamente com a filosofia espírita. sou apaixonada pelo pensamento da civilização humana, suas crenças, valores, ritos e mistérios.
ao longo dos anos, li sobre – quase – todas as religiões (ao menos, sobre todas as que ouvi falar).
fui da bíblia ao alcorão, do bhagavad gita ao tao te ching, do dhammapada ao caibalion, dos evangelhos apócrifos (interessantíssimos, aliás) à teosofia e muitos, muitos outros.
no fim, cheguei à uma única conclusão: a mensagem é sempre a mesma.
por mais que a forma ou discurso sejam diferentes entre si, todos indicam o caminho do amor. o amor ao próximo e o amor a si mesmo – e este, vem primeiro.
não podemos dar o que não temos.
quando penso sobre a vastidão do universo e seus bilhões de galáxias com seus bilhões de estrelas, sobre a beleza do incognoscível, a infinitude quântica do microcosmos e a poesia das diversas dimensões / freqüências, fecho os olhos e agradeço por simplesmente existir.
agradeço por estar viva, presenciando diariamente o milagre ou a loucura de tudo isso.
eu sei que tenho uma alma. eu sinto.
e acredito que ela seja eterna e conectada à uma fonte maior. uma fonte de luz e amor totalmente reais.
e isso não é um delírio. eu apenas sinto.
isso também não significa achar que todo mundo deveria acreditar nisso.
pelo contrário.
comecei a meditar há alguns meses. quando comecei a estudar o budismo e o hinduísmo, imaginei que deveria mesmo haver algum barato nesse lance da ‘interiorização’.
buda, krishna, yogananda e osho batem muito nessa tecla. jesus? o cara ficou 40 dias no deserto, sozinho.
para nós, ocidentais, talvez, ficar sentado em silêncio pode parecer “perda de tempo”. pois pra mim foi como “ganhar um templo”.
mas é só praticando que se descobre esse tal ‘barato’ e cada um tem o seu caminho a desvendar na espiritualidade, seja ele qual for.
seja ele o ‘não caminho’.
ninguém precisa ser ‘espiritulizado’ para ser do bem. você pode ser do bem e ponto. pode ser o que for. pode ser ateu, não importa.
o amor é real e a vibe do amor é reconhecível em todos lugares, por qualquer ser vivo.
e isso, todo mundo saca.
por isso, eu reverencio a expansão da consciência, o conhecimento (seja ele intuitivo ou científico), a reforma íntima e a escolha no caminho do bem.
mas, acima de tudo, eu reverencio a liberdade.

 

 

 

 

o amor é sem casca
selva sem corte
releva a relva
verve vê come
bússola quebrada
céu da boca invertido
não posse
tremor da alma
ventre derretido
a mão ali
dali dalí
reflexo fluxo
máximos do mínimo músculo
coração sujo de ouro
assalto vivo
infinito bom
troco delírio
clave de céu sem tom

 

 

teoria da cor

 

 

costura um dourado na cara da carne
habita o intangível capturável
tem olho no coração dos sexos
sangra sempre que morre
porque nasce no cerne das coisas mais lindas
entre as coisas mais necessárias