hoje é aniversário desse ser humano que, definitivamente, mudou a minha vida.
quando conheci o ney (na gravação do programa som brasil cazuza) fiquei petrificada com o seu talento, força e voz.
naquele dia, percebi que um artista pra ser foda e atingir o coração das pessoas,
possui muitas camadas.
interpretação, postura, profissionalismo, profundidade, destemor,
simpatia, acolhimento, humildade e o olhar absurdamente atento.
meses depois, ney me convidou para entrevistá-lo para
uma revista (na época, essa revista possuía uma coluna
onde um artista novo entrevistava um artista consagrado, escolhido por ele).
após encontrá-lo, ele me chamou de canto, só nós dois,
e me disse com todo amor:
- “você vai mesmo jogar todo o seu talento no lixo?”
na época, eu tava apavorando nos goró
e ele se referia a isso, diretamente.
aquele gesto foi uma prova de amizade e
de humanidade que eu jamais tinha visto.
e tinha vindo dele.
do meu ídolo.
do nosso herói.
voltei pra casa aos prantos e, confesso, aquilo foi
a melhor coisa que alguém podia ter feito por mim, naquele momento.
cresci, amadureci.
parei de me auto-sabotar.
convidei-o pra dirigir um show meu e ele,
inacreditavelmente, aceitou.
eu não tinha um puto no bolso, apenas determinação e sonhos.
muitos sonhos.
ser dirigida e iluminada por ele foi uma
das maiores honras que já tive na vida.
e isso só prova que pessoas como o ney existem.
elas estendem a mão e iluminam o mundo.
hoje, somos amigos.
conversamos sobre tudo, cosmos, energia, almas,
etês, livros, filmes e, claro, música.
quando contei pra ele toda eufórica, há uns anos atrás,
que tinha descoberto o ‘tao te ching’ do lao-tsé, ele me disse:
- “em 1972, passei 02 anos discutindo esse livro com um
amigo meu, entre os ácidos que tomávamos na época”.
porra, esse é o ney!
cê tá indo e ele já voltou.
felicidades infinitas no seu dia, amigo tão amado.
obrigada por ter encarnado aqui nesse planeta
e nos ensinar e emocionar, sempre.
quem conhece a tua arte, te admira imensamente.
mas quem te conhece na intimidade, só pode
agradecer ao universo por você existir.
nós te amamos! <3

em menos de 24H, foram 03 shows em 03 cidades diferentes.
tô moída, mas o coração tá transbordando amor, felicidade e gratidão.
obrigada a todxs que oferecem um abraço apertado,
cantam junto as canções e chegam no rolê de peito aberto.
quando a gente faz o que ama, a gente alma.

 

 


dona adelaida, te amo.
minha avó fugiu da guerra civil espanhola depois
que seus pais foram assassinados por serem comunistas.
meu bisavô era prefeito do povoado e
foi assassinado em praça pública.
fugindo do regime franquista, ela cruzou
os pirineus a pé no inverno com seus irmãos e após viver
10 anos exilada na frança, veio para o brasil de navio.
minha avó nunca reclamou de nada.
nada mesmo.
e sempre me intrigou o fato de um ser humano
ter sofrido tanto e conservar uma visão tão otimista da vida.
ela era grata por tudo.
viveu de forma simples e humilde e tinha os olhos doces.
também fazia os melhores mantecais, purê e tortillas do mundo.
amava cozinhar para todos nós.
quando pequenos, nós não conseguíamos
pronunciar a palavra ‘abuela’, então ela virou a nossa “güêla”.
quando penso nela, agradeço ao universo por ter
tido a enorme alegria de ser sua neta e aprender
de maneira tão profunda a amar a natureza,
as pessoas, as coisas mais simples e a sorrir, sempre.
quem a conheceu sabe que a sua risada
era uma bomba atômica do amor.
contagiava todos os corações ao seu redor.
hoje me deu uma saudade enorme dela.
então vó…
esteja você onde estiver, saiba que eu te amo sem fim.
além das galáxias.
obrigada por me ensinar a coisa mais preciosa da vida.
obrigada por me ensinar a amar.

 

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hoje, correndo no parque, escutei três senhoras que conversavam.
chocada, notei a fala de uma delas, que – infelizmente – aqui reproduzo:
- “aquela gente feia.
aquela gente feia, suja.
gente pobre.
e aquele cheiro.
sabe?
argh…
tipo 04 apartamentos por andar.
que horror!
deus me livre de gente pobre.”
no momento em que isso aconteceu, eu parei imediatamente
de correr e comecei a encarar a mulher
que proferia as tais frases.
fiquei desnorteada.
paralisada.
me subiu um sangue quente na cabeça.
meu coração disparou.
senti minha face pegar fogo de ódio, de raiva,
por não imaginar que aquilo fosse possível.
as outras duas, visivelmente incomodadas
com o fato de eu ter ficado encarando a mulher,
chegaram a ficar constrangidas com o tom
da fala da amiga (mas duvido que do conteúdo).
nesse exato segundo, me passaram
03 coisas na cabeça:
01 – vou encher essa velha de porrada;
02 – vou lá passar um sabão e envergonhá-la
na frente de todo mundo;
03 – péra. calma. fica aí parada que sua cabeça
tá explodindo e cê vai fazer merda.
bom, entre decidir matar aquela senhora
e tentar entender como é possível que alguém,
algum ser humano sinta realmente isso por um outro ser humano,
cheguei à duas conclusões:
a primeira, é que sim, essas pessoas existem.
elas falam essas coisas.
elas sentem isso.
e o mundo tá nessa loucura de opressão, morte,
preconceito e desafeto (pra dizê o mínimo)
por causa de pessoas como essa mulher,
que defendem claramente seus privilégios e foda-se o resto.
não entendem porra nenhuma de nada e se elas têm uma alma,
carece evolução no grau máximo da vida.
a segunda conclusão é que se eu batesse nela,
perderia a razão.
ok.
decidi respirar fundo três vezes (mas pense respirar
fundo messsmmooo) e deixar na mão do universo
para que essa pessoa aprenda.
confio nisso.
a gente colhe o que planta.
inevitavelmente.
espiritualmente.
se fiz bem, num sei.
se fiz certo, muito menos.
ainda tô aqui, meio arrependida e ao mesmo tempo
me sentido forte por que, no fundo, o que senti foi pena
de uma pessoa que não conhece o amor,
o respeito e a amizade verdadeiras.
ela ‘compra’ tudo.
ela é a ignorância suprema.
desabafos à parte…
seguimos lutando.
com amor.
sempre. <3